Recoleta, um cemitério cheio de histórias (e que dá para visitar com crianças) - Tem criança na viagem
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Recoleta, um cemitério cheio de histórias (e que dá para visitar com crianças)
22/05/2020
Tempo de leitura: 4 minutos.

Já pensou em levar seus filhos para passear em um cemitério? Parece estranho, né? Mas alguns destes lugares são passeios obrigatórios para turistas – e, entre eles, aqui do lado do Brasil, está o da Recoleta, em Buenos Aires.

O cemitério é mais conhecido por abrigar o túmulo da heroína argentina Evita Peròn, que passa cercado por visitantes o dia inteiro – e que muitas vezes frustra os desavisados por não ter toda a pompa esperada.

Eva Duarte de Peròn, que ficou mais conhecida Evita, foi esposa de Juan Domingo Peròn – presidente do país por três vezes. Muito querida pelo povo, ela morreu em 1952, de câncer. Seu corpo foi embalsamado e, dois anos após a morte, os militares do país – temendo a idolatria sobre a família que não estava mais no poder – enviaram seus restos mortais para a Itália, onde foi enterrado sob um nome falso. Em 1976, porém, o corpo foi trazido de volta e enterrado no mausoléu onde está até hoje.  

Mas o interessante é que a Recoleta tem muito mais a ser visto. São mais de 4 MIL mausoléus de mármore, com uma arquitetura bem interessante e antiga – o cemitério funciona desde 1822.  

Antes de levarmos a Sara até lá, resolvemos dar uma pesquisada. E conhecemos algumas histórias super interessantes de pessoas que lá estão em seu “descanso eterno”.

Aqui vão algumas delas:

Rufina, a “Dama de Blanco”

Filha do escritor Eugenio Cambaceres e da bailarina italiana Luisa Baccichi (“La Bachicha”), Rufina Cambaceres ficou conhecida como a “Dama de Blanco” do cemitério. Conta a lenda que ela teria morrido duas vezes – a primeira, ao fazer 19 anos: naquele dia, em 1902, ela seria apresentada à sociedade portenha, durante uma peça de teatro.

A família a encontrou caída no chão e um médico confirmou sua morte. O enterro ocorreu no dia seguinte. Dias depois, porém, o susto: funcionários do cemitério encontraram o caixão em que jazia o corpo aberto, e sua tampa quebrada e com vários arranhões.

Até hoje não se sabe se foi um furto ou se Rufina, na verdade, sofreu de catalepsia, acordando fechada dentro de sua tumba.

O mausoléu é considerado um dos mais belos do cemitério, e mostra uma estátua de Rufina segurando uma maçaneta – supostamente para poder entrar e sair do mundo dos mortos. Brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr

Uma estátua mostra a menina segurando uma espécie de maçaneta da tumba, como se quisesse sair ou entrar do mundo dos mortos.

A primeira das histórias é a da conhecida “Dama de Blanco” de Recoleta. E corresponde à trágica morte de Rufina Cambaceres, filha do escritor Eugenio Cambaceres e da bailarina italiana Luisa Baccichi (“La Bachicha”).

David, o coveiro que inaugurou a própria tumba

David Alleno era coveiro, e a Recoleta, definitivamente, não era um cemitério para pobres como ele – que, apesar disso, “sonhava” em ser enterrado ali.

Por isso, David economizou durante toda a vida para garantir seu espacinho naquele lugar tão especial.

Quando entendeu que já tinha juntado dinheiro suficiente, comprou um terreninho no cemitério e foi com o irmão para a Itália a fim de encomendar o mais lindo dos mausoléus. A encomenda vinha inclusive com o ano de sua morte, que ocorreria em 1910.

No dia em que a obra ficou pronta, o coveiro pediu demissão. Despediu-se dos amigos e foi para casa, onde se suicidou.

Na frente de sua tumba, hoje, está uma estátua de David vestido com seu uniforme, uma regadeira, uma vassoura e um molho de chaves.

Lilliana e seu cão

Liliana Crociati morreu, em 1970, em uma avalanche que soterrou o hotel em que passava a lua de mel, na Áustria. Naquele mesmo dia, a 14 mil quilômetros dali, morria também seu cachorro, Sabú.

O mausoléu da jovem, morta aos 20 anos, imita o quarto de Lilliana. A escultura é a única do cemitério acompanhada por um cachorro.

O criador da tumba, na época, assim descreveu o espaço: “Uma sala enorme com uma espécie de living onde se localiza o féretro, coberto por um sahri que Liliana tinha comprado na Índia. Estão suas fotos, uma pintura a óleo pintada por uma amiga e na porta uma escultura que a representa em vida. Com um vestido e o cabelo comprido, acompanhada por seu cachorro, Sabú”.

O viúvo, que hoje está enterrado no local, viveu até 1996. Mas os funcionários do cemitério contam que, até hoje, um desconhecido misterioso deixa no local, de tempos em tempos, um ramo de flores. Ele nunca foi visto por ninguém.

Juntos para sempre – no amor ou no ódio

Conhecido político e governante argentino, Salvador María del Carril era casado com Tiburcia Dominguez. E os dois, digamos, não se davam bem.

Tanto que, depois de uma briga, os dois pararam de falar um com o outro. E assim ficaram por mais de 30 anos. A briga seria, possivelmente, por conta das dívidas da mulher.

Quando Salvador morreu, em 1883, Tiburcia mandou construir um mausoléu lindo para o marido, com uma estátua dele, olhando para o sul. A viúva faleceu 15 anos depois, mas antes de morrer fez um último pedido: que seu busto fosse colocado de costas para o do marido. O rancor dela iria durar pela eternidade.

A noiva do Rio da Prata

Filha do conhecido almirante Brown, Elisa era noiva do comandante Francis Drummond, que acabou morrendo nos braços do sogro, durante a Guerra Cisplatina. Desesperada com a morte do amado, meses depois Elisa se jogaria, vestida de noiva, no Rio da Prata.

Seus restos mortais repousam dentro de uma urna feita com o bronze fundido de um dos canhões do navio onde Francis combatia durante a guerra.

Para saber mais: https://turismo.buenosaires.gob.ar/es/otros-establecimientos/cementerio-de-la-recoleta

Como chegar:

Endereço: Junín, 1760. Bairro Recoleta.

Preço: a entrada é livre e gratuita.


Argentina  Buenos Aires  Recoleta 
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