Muralha da China: uma visita (extenuante) - Tem criança na viagem
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Muralha da China: uma visita (extenuante)
18/10/2017
Tempo de leitura: 6 minutos.

Viajamos no primeiro semestre de 2017 por 3 meses e 6 países pela Ásia. Conhecemos lugares incríveis e inesquecíveis, e passamos por pouquíssimos perrengues. Ainda bem, já que estávamos com a Sara.

Mas o maior de todos foi justamente em um dos lugares mais famosos do planeta: a Muralha da China.

 

Linda e desafiadora

 

É incrível? É. Enorme, grandiosa, surpreendente, milenar, etc, etc. Mas, em nosso caso, foi no mínimo extenuante, e também um pouco frustrante. Não pela a construção em si, mas pelo contexto todo enfrentado em um dia que era para ser positivamente inesquecível, e não foi.

Por conta do t empo de nossa viagem e pela grana disponível, optamos por fazer poucos passeios com excursões. Descobrimos tudo sozinhos, pesquisando, conversando com viajantes, lendo. E, assim, entendemos que seria tranquilo conhecer a muralha por conta, gastando pouco e nos baseando na experiência de outros viajantes.

Para começar, nos hospedamos ao lado de uma estação de metrô que daria acesso ao trem que nos levaria até Badaling, um trecho da muralha próximo de Pequim (73 quilômetros), mas também o mais turístico de todos. Um dia antes, estudamos o mapa do metrô e vimos que, a três conexões dali, estava o transporte que nos deixaria às portas da muralha.

Como sabíamos que, com o avançar da manhã, hordas de turistas – chineses, na maioria – tomariam as muralhas, fomos dormir cedinho. Acordamos antes das 5h, tomamos um café da manhã no quarto do hotel e tocamos para a estação de metrô a fim de pegar o primeiro trem.

Só que cada linha tem um horário diferente de início, e ali começaram os nossos problemas. Ficamos cerca de 40 minutos parados, esperando, até seu “surgimento”. Seguindo mapas e orientação de uma blogueira confiável, trocamos duas vezes de linha e chegamos à estação de onde pegaríamos o último metrô até o trem que iria a Badaling.

Só que…

A blogueira na qual tínhamos fé havia viajado um ano e meio antes, e, depois disso, algo mudou nas linhas de metrô. Corremos que nem uns loucos atrás da tal estação, até que encontramos um policial sentadinho, vigiando a entrada de uma outra. Perguntamos por Badaling e ele não falou nada: apenas levantou e saiu caminhando, dando a entender que deveríamos segui-lo. Ele nos levou até um ônibus velho da polícia e apontou para um pedaço de papel onde, escrito em inglês, a caneta, estava o aviso: era necessário ir para outro lugar para ir até a Grande Muralha.

 

Em um cantinho havia um bilhete. E só

 

Já cansados da correria e frustrados, fomos. Desembarcamos próximo à estação do trem – para chegar até lá tinha uma caminhada de uns 10 minutos, sem placas de orientação em inglês. Seguimos o fluxo da boiada e chegamos no lugar certo. Até cão farejador os caras têm na entrada. Lá compramos a passagem à base de gestos e esperamos. Em uma hora e meia o trem iria partir (já havíamos perdido o primeiro trem da manhã, claro.)

Cerca de 45 minutos antes da partida, o trem estaciona e daí começa a prática do esporte preferido dos chineses: fazer fila. Gente, parecia que todos os chineses em um raio de 50 quilômetros haviam aparecido e espremiam-se esperando o embarque. Fomos para lá e nos esprememos também.

Naquele tempo em que ficamos brincando de sardinhas, conseguimos identificar apenas outros 3 ocidentais, tão impressionados com a situação quanto a gente. Descobrimos que ir por conta para Badaling é coisa de chinês, mesmo.

Quando a porta para o trem abriu, o povo começou a correr como se lutasse pela vida, ou atrás de um último prato de comida. Sem entendermos nada, e por via das dúvidas, peguei a Sara no colo e corremos também. Desesperados. Até chegar ao vagão, que tinha espaço para todo mundo, tranquilo. Até agora a gente não entendeu o motivo daquela correria todo. Mas vale pela história.

A viagem até Badaling dura uns 40 minutos e é super agradável. A vista é incrível e, já na saída, a gente pode ver trechos da muralha. Tem venda de lanchinhos e até de badulaques para crianças.

Chegamos à estação e, mais perdidos do que cachorro que caiu do caminhão de mudança, fomos atrás de garantir a passagem de volta para Pequim – já que todo aquele povo que foi também iria voltar, e os horários de retorno são limitados. Nenhuma informação em inglês e ninguém para traduzir. Fomos praticamente corridos pela vendedora de bilhetes, que não quis nem olhar para meu celular, onde, em mandarim, pedíamos a passagem. Deixamos para comprar à tarde, rezando para que tudo desse certo.

 

Sobre os horários de trem…

 

Badaling

Entre a estação de Badaling e o acesso à muralha caminha-se mais de um quilômetro. Neste trecho juntam-se aos passageiros de trem os turistas que foram de ônibus, e de todas as nacionalidades. A muralha passa a ser uma torre de babel. Novamente, são poucas ou confusas as placas – algumas já em inglês. Seguimos de novo o fluxo da boiada até encontrar outra fila – menor, é verdade – para comprar o ingresso para subir.

 

Informações sobre a entrada em Badaling

 

Chegamos lá em cima perto das 11h, cansados, com fome e frustrados. Tinha muuuuuuuuuuuita gente. Os chineses têm o hábito de parar em qualquer lugar para comer e descansar, então além de cheia de turistas caminhando, a muralha também estava cheia de gente sentada por todos os cantos – muitos até mesmo cochilando.

 

Pessoal na hora do rango. Qualquer lugar é lugar quando se está na China

 

Então, depois de horas e horas, conseguimos curtir um pouco. Com um solaço batendo na cabeça – aprendemos um hábito com os chineses: levar sombrinha para proteger do sol (o que nos salvou…) -, caminhamos um pouco, fizemos fotos, descansamos e almoçamos o lanche que havíamos levado. A caminhada sobre a muralha exige esforço: há trechos bem íngremes. Mas lá de cima a gente percebe o quanto este monumento é grandioso e passa a admirar ainda mais a obra.

 

Prepare-se: a subida é íngreme

 

Sabíamos que a descida seria mais tranquila, mas havíamos prometido para a Sara que iríamos descer com uma espécie de bondinho que tem por lá. Animadíssima, fomos até a bilheteria.

 

O carrinho da discórdia: era para ser uma mão na roda, mas…

 

Cada lugar no carrinho custava cerca de R$ 40. Um bom dinheiro, considerando que poderíamos descer a pé e de graça. Mas a Sara tinha sido muito parceira e aguentado o tranco, então ela merecia. Entramos no carrinho.

E daí chegamos a outro ponto extremamente frustrante do dia. Não sabemos se fizemos algo errado ou se os blogueiros não passaram por isso: o tal do carrinho nos deixa a cerca de dois quilômetros do portão de entrada da muralha (soma-se a isso mais um e meio até o trem…), mas perto de um estacionamento de ônibus de excursão, o que não era nosso caso. A gente é obrigado a passar por dentro de uma espécie de zoológico de ursos (os bichos claramente mal tratados, sem comida ou água, sob o sol escaldante…) e por uma vilinha de venda de souvenires.

Caminhamos tudo isso de volta, com a Sara surpreendentemente tranquila, até a estação de trem. Adivinha? Fiiiiiilaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.

Mas ai já estávamos “em casa”. Compramos a passagem de volta para Pequim, não teve correria desesperada até os vagões e o retorno até que foi tranquilo.

Saldo do dia? Esgotados, mas satisfeitos. Mais um lugar incrível “conquistado” e uma história enorme de perrengue para contar!

 

Mas é linda, né?

 

Sobre a muralha

Badaling é o acesso mais fácil, por transporte público, para a muralha. É um trecho já restaurado – portanto, pouca coisa ali remonta ao início da construção.

Ela começou a ser construída por volta de 200 A.C e foi “finalizada” no século XV – ela segue em obras até hoje, já que há trechos que são reconstruídos, destruídos, etc.  Em lugares mais desertos, suas pedras são retiradas a fim de ser utilizadas na construção civil…

A sua extensão correta é outra incógnita: historiadores sempre afirmaram que tem cerca de 8.500 quilômetros, mas uma pesquisa realizada há alguns anos apontou um comprimento de 21.200 quilômetros. Apesar desse tamanho todo, não, não dá para ver do espaço – isso foi confirmado por um astronauta chinês.

A Muralha da China é Patrimônio Mundial da Unesco desde 1987, e, desde 2007, é uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno.

 

Até hoje extensão correta da muralha gera dúvidas em pesquisadores

 

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Todos os comentários
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[…] conhece a muralha e está pensando em ir? Neste texto a gente fala sobre este passeio muuuito cansativo (acesse que você vai entender… […]
Ligia
Olá. Irei para Ásia próximo mês e farei um stopover em Beijing. Pensei em ir para muralha direto do aeroporto, com o trem que sai de lá, apenas fazendo as trocas das linhas. Poderia explicar o trajeto dentro das estações que fez? Qual estação que mudou de nome que o senhor mostrou no papel? Dá para ir só de metrô ou é necessário pegar ônibus nesse trajeto também? Parabéns pela coragem de viajar com a pequena. Certamente ela se tornará um adulto melhor para o mundo.
Josiane Rotta
Oi Ligia! Tudo bom? Vamos lhe responder via email!! Obrigado pelo contato! :-)
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